O Rápto de Perséfone – parte XIX

31 08 2009

– Poseidooooonnnn!

– Que foi incógnito?

– Hoje é o ultimo capítulo da história! Finalmente vou descobrir como Coré virou Perséfone!!!!

– Não

– Como assim?

– Só de sacanagem porque a Juliane resolveu rir da minha cara por ter predito que eu teria de dividir a história e ter acertado… Vai ver ela é mesmo Cassandra… Ou isso ou ela é o adivinho cego!

– Adivinho cego?

– Longa história…

– Mas e o final da história? E a mudança de nome da protagonista?

– Fica pro próximo capítulo…

– FUUUUUUUUUUUUUUUUUCCCCCKKKKKKKK!!!!!!

– E de bonus pra quem não leu tudo desde o início mas quer saber o que  se passou até agora:

NOS CAPÍTULOS ANTERIORES:

Coré, filha de Zeus e Deméter passeava pelo bosque com sua amiga Ciané quando Hades, o deus do submundo, a viu e se apaixonou perdidamente por ela. O senhor dos mortos e seu capanga Thanatos armaram um plano, convenceram Zeus a permitir que Hades levasse Coré ao submundo sem que Deméter ficasse sabendo e contrataram Hypnos para que este fizesse a deusa cair em sono profundo enquanto sua filha era sequestrada. No submundo Hades fez um trato com sua refém, ela deveria passar alguns meses no submundo sem comer nada, se o fizesse seria forçada a passar o resto da eternidade naquele lugar sombrio. No Olimpo Deméter havia caido em depressão fazendo com que nada mais crescesse na terra e as pessoas não tivessem mais como se alimentar, Zeus, temendo que a situação se agravasse foi ao submundo forçar Hades a devolver sua prisioneira.

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Uma multidão de deuses se reunia em torno de Zeus, todos querendo saber como ele havia conseguido convencer Hades a devolver Coré. O deus dos deuses ria alto, levemente entorpecido pelo excesso de néctar e contava mais uma vez sua história:

– Então quando ele soltou aquele cachorro em mim eu só olhei feio e ele caiu!

– Ooooohhh!

– Ai o Hades mandou os capanga dele, ai eu fiz assim com o braço e no outro dei um chute assim, ai um tentou pular nas minhas costas mas eu me abaixei e ele voou por cima assim e embolou com outro que vinha pela frente!

– Oooohhh!

– E eram uns 50! 50 capangas!

– Não eram 30?

– Claro que não, eram 50! E dos grandes, mas eu botei todos pra correr!

– Oooooohhhhh!

– Mas isso não é tudo! Depois veio o Thanatos, mas eu dei um roundhouse kick nele e ele voou assim na parede e nem conseguiu se mexer mais depois disso! Ai eu fui atacar Hades, mas ele ficou com medo do meu poder e disse que me entregaria Coré hoje!

– Ooooohhhh!!!

No Olimpo era clima de festa, Deméter estava mais contente do que nunca e isso fazia com que as plantas crescessem extremamente fortes e belas na terra, as populações humanas todas agradeciam aos deuses por terem ouvido suas preces e fizeram centenas de oferendas e sacrifícios, possibilitando um novo banquete para as divindades.

Já no submundo a coisa estava um pouco diferente, Hades andava com as mãos nos bolsos e chutando pedrinhas, em apenas um dia ele teria de libertar Coré sem ter tido sucesso em conquista-la. O deus foi até o quarto onde a garota havia se instalado, mas não a encontrou lá, por sorte a viu nos jardins ao olhar pela janela e foi até lá ter com ela.

– O Coré…

– O que foi?

– Arruma tuas coisa, ce vai pra casa amanhã…

– Sério?

– É, ce cumpriu as regra, pode ir…

– MARAVILHA!

– É…

Cabisbaixo o deus se retirou deixando a garota sozinha, mas Pandora e Thanatos haviam visto tudo:

– O chefia vai dexa ela i mesmo?

– Vai…

– Ma ó o jeito que ele tá, ele num merece isso, primera vez que fica afim duma mina…

– Realmente, nós podíamos tentar mudar isso…

– Como assim?

– Vem cá…

Pandora saiu andando com Thanatos a seguindo, os dois encontraram um velho homem que podava algumas arvores:

– Ele vai nos ajudar…

– O jardinero? Que ele pode faze pra dexa o chefe mais feliz? Num pensa em dá flores pra ele né? Ele num é desses…

– Cala a boca Thanatos, vou te mostrar como ele pode nos ajudar…

– Hã?

Pandora ignorou o deus e então se aproximou do jardineiro:

– Rapaz…

– Sim minha sinhora?

– Gostaria de ganhar algum dinheiro e cair nas graças de Hades?

– Ô minha sinhora, como assim?

– É o seguinte, está vendo aquela garota toda feliz ali entre as arvores?

– Qui tem?

– Sabe que arvores são aquelas?

– Romãzeiras minha sinhora…

– Exatamente, você vai fazer o seguinte… Vá até lá e diga o quanto aqueles frutos estão belos e devem estar saborosos, colha alguns, abra um deles e coma algumas sementes, mas tome o cuidado de deixar umas três sementes caírem no chão…

– Si eu cume um desses o sinhô me mata! Posso faze isso não…

– Fica tranqüilo que eu sou amiga de Hades e não vou permitir que nada de mal te aconteça, apenas faça o que te digo…

– Mas purque?

– Porque ela não é daqui e quando comer as sementes da romã não poderá mais sair…

– Ahhhh…

– Pois é, mas fique escondido para vê-la comer, quando a vir corra para o palácio e conte o ocorrido à Hades!

– Sim sinhora!

E assim Pandora e Thanatos voltaram para junto de seu senhor. O Jardineiro olhou para os lados e imediatamente foi até as romãzeiras:

– Oxi que frutas bonitas essas… Devem tá uma gostosura qui só! Vo até leva umas…

Coré olhou para o rapaz e depois para as frutas que ele colhia, realmente elas estavam no ponto, a casca já havia rachado indicando que estavam maduras e prontas para serem comidas, imediatamente seu estomago roncou e sua boca começou a salivar. O jardineiro colocou quatro frutos em seu cesto depois pegou um quinto fruto e o abriu deixando três sementes caírem ao chão, ele então se afastou, quando estava a uma distancia segura se escondeu e passou a observar as reações da garota.

Coré olhou as sementes que haviam caído, três sementes avermelhadas que lembravam pequenos rubis. A garota olhou para os lados e não viu ninguém por perto, ela sabia que não deveria comer, mas eram apenas três sementes, não podiam ser tidas como uma refeição e ela estava há tanto tempo sem comer, isso sem falar que em apenas um dia ela voltaria para casa, aquelas três sementes certamente não fariam mal… Cautelosamente ela pegou as três sementes e as colocou na boca, a garota fechou os olhos concentrando-se no maravilhoso gosto da fruta.

Coré e a Romã

Coré e a Romã

O jardineiro sorriu e saiu correndo em direção ao palácio de Hades contar o ocorrido. Ao adentrar o salão principal viu o deus do mundo dos mortos sentado com uma cara triste em seu trono, Thanatos de pé ao seu lado e Pandora tocando lira, deitada em algumas almofadas ali ao lado, ao vê-la o jardineiro deu um sorriso, mas ela não retribuiu, fingindo que não sabia de nada:

– SINHOR HADES!

– Hum?…

– Eu preciso contar algo pro sinhor!

– Só si fo importante… Se não o Thanatos ai ti senta o dedo…

– É SIM!

– Que foi?

– Eu tava agora a poco ali no jardim né e vi uma moça…

– Uma mina?

– É, ela não parecia se daqui né…

– Uma mina qui num era daqui?

– Isso, isso!

– Mas só podi se a Coré! Qui tem ela?

– Bom, assim, eu tava lá fazendo meu trabalho né…

– Saquei…

– Mas ai deu uma vontaaadi di come uma romã né…

– Você comeu um fruto do meu jardim?…

– Er… Sim…

– Sabia que isso é crime?

– Eu sei, mas…

– EU DEVIA TE MANDAR PRO COCYTOS!

O rapaz recuou apavorado, mas Pandora interveio:

– Fique calmo Hades, deixe-o terminar, pode ser que ele tenha algo melhor a falar…

– Tá, tá… Continua ai…

– Bem, poisé né… Ai eu abri uma romã…

– Hunf…

– Só qui eu deixei treis sementinha cai no chão… Só treis…

– E daí?…

– E ai quando eu tava saindo né, eu mi virei né…

– E daí?…

– I daí eu vi a moça comendo, meu sinhor…

– Comendo?

– É, eu vi, ela pego as três sementinha e boto na boca!

– É vero isso?

– Sim!

– Se fo mintira o thanatos mesmo aqui vai ti joga pro cérbero tá sabendo?

– Num é mintira num sinhô! É verdadi!

– Thanatos, vai vê se ele num tá tentando dá um migué im nóis…

– Beleza truta…

Thanatos se retirou e pouco tempo depois estava de volta com um dvd e um aparelho portátil:

– É vero mano, o x9 ai falo a verdadi…

– HÁ! Esse é caguete mas é um caguete dos bom! Seguinte, ce vai se muito bem recompensado, pode crê!

– Muito obrigado sinhô!

– Agora some daqui que amanhã a gente vê a tua recompensa…

O Jardineiro se retirou pulando de alegria. Hades pegou o aparelho portátil de Thanatos e saiu correndo até onde Coré estava:

– Coré-É!

– Oi Hades, então que horas amanhã eu posso sair e tal?

– Vai sai porra nenhuma!

– Hein?

– Saca só o que as câmera de sigurança flagraram aqui!

– Que?

Hades mostrou o vídeo para Coré que assistiu a tudo de boca aberta:

– Foram só 3 grãozinhos…

– O trato era NADA.

– Mas amanhã eu já to indo!

– O trato era nada enquanto ce tivesse aqui, ce tá aqui, ce comeu, ce fica!

– Mas isso não é justo!

– Dane-se, são as regras, agora vem cá!

– SAAAIIII!

Hades se atirou em cima de Coré, derrubando-a nos jardins, despindo-a e estuprando-a ali mesmo. No inicio ela gritava algo como “Nããão, paaaraaa”, mas pouco tempo depois já gritava “Nããão paaaraaa”.

– “Não, para” e “não para”?

– O que uma virgula não faz né?

– …

Continuando…  Depois de consumado o ato a garota estava atirada na grama arfando e toda descabelada, mas com um sorriso bobo no rosto, enquanto Hades a abraçava possessivamente com uma mão e com a outra segurava um cigarro na boca.

– Nossa… UAU!…

– Tava bom é…

– Nem tava…

– Ah fica quieta e vem cá…

E lá foram os dois amassando a grama de novo…

E Hades estupra Coré!!!

E Hades estupra Coré!!!

Tenso...

Tenso...

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– Voce devia marcar o blog como inapropriado para menores de idade, Poseidon…

– Porque deveria?

– Isso não é coisa que crianças possam ver!

– Claro que é!

– É nada

– Ora, mas fique voce sabendo que na grécia antiga as garotas casavam antes dos 12 e já tinham filhos!

– QUE!?!

– Sim, Helena de Tróia, por exemplo, tinha 9 anos quando casou-se com um homem com o dobro ou até triplo de sua idade!

– Além de nudistas e estupradores agora vocês são pedófilos?

– …

– Que medo!

Considerações finais:

–> Agradecimentos especiais a Juliane por ter me feito dividir a história em mais capítulos, se eu não tivesse feito certamente ela não seria tão legal.

–> Ao Felipe do blog His Style, por ter dado a idéia do resumão no inicio de cada post, de forma que os novatos não se sintam tão perdidos na história.

–> E por ultimo, mas nem de longe a menos importante, minha querida Ichi, por ter criado o banner do blog que logo mais estará disponível para quem quiser me linkar!

Um grande muito obrigado a todos voces!

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O Rapto de Perséfone – parte VIII

27 08 2009

E lá vamos nós com o penultimo capítulo da saga de Coré!

– Penultimo capítulo, Poseidon?

– Aham!

– Esse não ia ser o ultimo?

– Não…

– Ia sim, voce disse isso no final do ultimo post ó!

– Fica quieto! E só eu posso postar links!

– …

– Resolvi dividir a ultima parte em duas porque ficou muito maior do que eu esperava, 13 páginas de word ao todo…

– Nossa!

– Pois é… Então pra não embromar muito mais, senta que lá vem história!

– AH! Eu já vi isso na TVÉ!

– XIU!

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Os dias passavam e se tornavam semanas, que por sua vez começaram a virar meses e Coré ainda não havia voltado para casa. Aos poucos Deméter perdia a esperança de ver sua filha novamente e se afundava cada vez mais em depressão. A infelicidade da deusa era tamanha que logo nas primeiras semanas começou a afetar o mundo fora do Olimpo. No inicio não parecia ser algo grave, as colheitas atrasavam um pouco, os frutos já não eram mais tão saborosos e nem as flores tão belas, as arvores já não pareciam mais tão fortes e a vegetação no mundo inteiro parecia querer se esconder, mas o tempo passou e a situação começou a se agravar, as colheitas simplesmente não vieram mais, as arvores deixaram de dar frutos, as flores pararam de desabrochar, as arvores perderam suas folhas e toda a vegetação começou a secar e morrer. Em pouco tempo enormes desertos de terra árida se formaram onde antes cresciam florestas inteiras e a comida começou a escassear causando a morte de animais e desencadeando sangrentas guerras entre os humanos que disputavam o pouco de comida que ainda podia se encontrar, a única coisa que ainda cresciam eram perigosas plantas carnívoras que disparavam raios laser pela boca e aterrorizavam a humanidade!

– Plantas carnívoras que disparavam raios laser pela boca? Mentira tua!

– É verdade, tenho até um vídeo pra provar olha só!

– Isso é uma montagem… E o link é da desciclopédia…

– É nada!

– É sim, as plantas são do jogo do Mário e as cenas do filme Armagedon…

– Hum… É… Tá, era só pra dar mais emoção pra história…

– …

– Enfim…

De qualquer forma, mesmo sem as plantas carnívoras que disparavam raios laser pela boca, a situação estava bem ruim, muitos começaram a morrer diminuindo drasticamente a população e, como eu já expliquei antes neste post, com menos pessoas acreditando nos deuses, seu poder diminuía e não só isso, como não havia comida nem para as pessoas, quanto mais para os sacrifícios e sem sacrifícios não havia banquetes no Olimpo também!

– Porque não?

– Porque são os sacrifícios que as pessoas fazem que alimentam os deuses…

– Como assim?

– Ora, sr. personagem incógnito, a simbologia do sacrifício é bastante simples e universal. Quando uma pessoa sacrifica algo para um deus, ela está entregando o objeto do sacrifício diretamente para o deus em questão de forma a agradar a divindade e assim ser favorecido de alguma forma, é um toma-lá-da-cá básico!

– Como assim universal?

– Porque a mesma prática se repete em praticamente todas as culturas ao redor do mundo, quando os Astecas sacrificavam virgens e guerreiros eles estavam oferecendo ao seu deus um harém e um exército. Quando os mesopotamios sacrificavam animais e e vegetais, estavam oferecendo comida para seus deuses, isto está bem claro no Ennuma Elish e a mesma prática com o mesmo significado se repete na cultura judaica, grega, egípcia, nórdica e por ai vai…

Exemplo de oferenda, sacrificando flores e vegetais.

Exemplo de oferenda, sacrificando flores e vegetais.

Exemplo de oferenda onde se sacrifica animais, em geral a oferenda era queimada no altar.

Exemplo de oferenda onde se sacrifica animais, em geral a oferenda era queimada no altar.

– Ah sim, mas no cristianismo não tem sacrifícios, ai como faz?

– Hum… Sei lá… Ele deve fazer fotossíntese…

– Ah sim entendi… Mas…

– O que?

– O que isso tinha a ver com a história da Coré mesmo?

– …

– É que na enrolação e tal…

– Tinha a ver que, devido à depressão de Deméter, as plantas começaram a morrer e por conseqüência matando os animais de fome e sem plantas e animais para comer os humanos não podiam nos oferecer sacrifícios e nossos banquete iam pro saco também…

– Ah saquei…

– Agora fica quieto!

– Ai tá…

– Hohoho há quanto tempo eu não fazia isso, me sinto bem melhor!

– …

Enfim, até mesmo os deuses começaram a ter problemas com a profunda depressão em que Deméter se encontrava, praticamente todos os deuses tentaram anima-la de alguma forma, mas ninguém pôde fazer nada…

– Praticamente todos?

– Sim…

– Você também?

– Aham…

– E o que você fez?

– Disse pra ela que se ela quisesse eu podia ajudar ela a ter outra filha, era uma brincadeira, mas acho que ela não gostou…

– Ah…

Continuando… Muitos deuses tentaram acalma-la, sem sucesso e isso já começava a incomodar profundamente Zeus que, apesar da promessa com Hades, já se via forçado a tomar uma atitude mais séria.

Enquanto isso, no submundo, Coré estava livre para ir aonde quisesse, contanto que não saísse dos domínios de Hades. Após tanto tempo lá ela começou a gostar um pouco mais do lugar, e a ver certas belezas. Mais de uma vez os frutos dos jardins de Hades chamaram sua atenção e despertaram seu desejo por comida, mas apesar da fome ela estava convicta de que não iria ceder.

Hades já começava a ficar impaciente e até mesmo dar mostras de querer desistir, ele sabia que manter Coré presa só a fazia sofrer e desgostar ainda mais dele, mas deixa-la partir significava perde-la para sempre. Este dilema o atormentava e parecia não ter solução possível, mas algo o faria se decidir antes do que ele próprio esperava.

O mundo fora do Olimpo estava um verdadeiro caos e isso começava a atrapalhar a vida dentro da morada dos deuses. Zeus já não podia mais agüentar, jogou a promessa feita à Hades às favas e saiu, emputecido, rumo aos domínios de seu irmão.

Chegando ao submundo o deus dos deuses derrubou a porta com um chute, Cérbero, o cão de guarda das quebrada, até tentou cumprir sua função, mas Zeus apenas olhou feio e ele correu para a sua casinha. Thanatos cuspiu seu café ao ver o que se passava pelas câmeras de segurança do submundo, o fiel servo de Hades saiu correndo para alertar o seu senhor:

– HADES, A CASA CAIU MANO, A CASA CAIU, FODEU TÁ SABENDO?

– Carai, que foi truta?

– A CASA CAIU!

– Como assim?

– Zeus tá ai quebrando tudo por causa do migué que ce deu nele!

– Que migué?

– Ce disse que ia leva a mina, casa e devolve, ia se jogo rápido e num foi!

– Mas ela num qué casa, tem que convence ela primero ué…

Nesse momento a porta da sala caiu e Zeus entrou pisando grosso até agarrar Hades pelo colarinho e sacudi-lo.

– HADES SEU IMBECIL!

– Carai mano, que foi?

– O QUE FOI? O QUE FOI? VEM CÁ QUE EU TE MOSTRO O QUE FOI!

Então Zeus arrastou Hades até o mundo exterior e viu o estado lamentável em que a terra se encontrava:

– TÁ VENDO?

– Que tem?

– O QUE TEM?!?

– Mas essas plantas carnívoras que disparam raios laser ficaram legais…

– Que?

– Ah esquece, elas não existem né…

– Hades…

– Que?

– NÃO MUDA DE ASSUNTO O CARALHO!

– Ai tá… Mas tipo, tá tudo meio seco e tal, mas nada grave né? Tu pode concertar e tal…

– CONCERTAR ISSO?!?!

– é?…

– VOCE VAI DEVOLVER CORÉ AGORA OU VAI HAVER UM ESTRAGO NA SUA CARA QUE NEM EU VOU PODER CONCERTAR!

– Po mano, pega leve…

– PEGAR LEVE!?!?!

– É pô… Dá uma força né, tipo, ces moram lá no Olimpo e tal e eu moro aqui no submundo, num tive oportunidade e vocês tem preconceito só porque so pobre…

– Hades, vem cá…

– Hã?

E lá se foi Zeus arrastando Hades submundo adentro até chegarem onde estavam antes. O deus dos deuses sacudiu o irmão e apontou para as inúmeras pedras que faiscavam nas mais diversas cores.

– Tá vendo aquilo?…

– Que tem?

– SÃO PEDRAS PRCIOSAS, COMO TU PODE ME DIZER QUE É POBRE SENDO O DEUS DAS RIQUEZAS, SEU TAPADO!

– Sou é?

– ÉÉÉÉÉÉÉÉÉ!!!!!!

E então Zeus começou a esbofetear a cara de Hades que deu um jeito de se afastar.

– TÁ CHEGA CARALHO!

– VAI DEVOLVER ELA OU NÃO VAI!?!

– Vo…

– ORA SE… Vai?

– Vo…

– Porque?

– Sei lá, cansei, amanhã mando ela de volta, serve?

– Vai mesmo?

– Aham…

– De verdade?

– To falando que sim, caralho!

– Hum… Tá… Mas se estiver mentindo…

– Já saquei, podexá que amanhã ela vai…

– Tá bom então…

E lá se foi Zeus meio confuso saindo do submundo, indo em direção ao Olimpo para dar as boas novas a mãe de Coré.

– Deméter…

– …

– Sai dessa depressão!

– … …

– Eu vim te dar uma boa notícia!

– … … !!!

– Coré vai voltar pra casa!

Imediatamente Deméter se levantou, ela avançou para cima de Zeus e o agarrou pelos braços sacudindo-o:

– ISSO É SÉRIO? MESMO? FALA A VERDADE! É MESMO!?!

– É É É É ME LARGA!

– Ops… Mas, como voce sabe?

– Acabei de falar com Hades, convenci ele a devolver ela amanhã!

– Mesmo? Como?

– Ah, ele não queria, tentou soltar aquele cachorro dele em cima de mim, os capangas e tal, mas ai eu impus toda a minha autoridade, dei uns sopapos no cachorro, no exército de trinta capangas dele, estapeei ele e ai ele viu que não podia comigo, ficou com medo e tal…

– Ai Zeus voce é o máááááximo!

– Eu sei, eu sei…

No mesmo instante em que recebera a notícia o animo de Deméter mudou completamente, de uma profunda depressão foi para a mais alta euforia e isso foi sentido no mundo todo! Onde haviam se formado desertos os bosques voltaram a crescer, as plantas voltaram a ficar verdes, flores novas começaram a nascer e a desabrochar e frutos novos a brotar. Toda a terra parecia estar alegre e cheia de vida de novo, como se cada ser vivo estivesse comemorando aquele acontecimento, finalmente a filha de Deméter voltaria para casa…

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– Mas e agora Poseidon?

– Que?

– Hades e Coré não vão se casar?!?!

– Fique no aguardo do próximo capítulo e voce verá!!!!

– Bolas…





O Rapto de Perséfone – Parte VII

17 08 2009

E aqui vamos nós com mais um capítulo da história de Coré, mas antes quero dar algumas considerações básicas sobre os últimos capítulos:

Nem sempre Janus é representado com uma face masculina e outra feminina, muitos artistas já o representaram com duas faces masculinas, o que não está bem correto, pois Janus, como deus supremo na cultura Etrusca, também representava a união do masculino e do feminino em uma única entidade. Particularmente eu acho essa coisa de meio homem, meio mulher meio estranha, imagine você na balada ai encontra aquele broto maroto, tá lá passando a conversa ai ela se vira e um rosto barbudo te dá uma piscadela… Imagino que seria uma experiência deveras traumatizante, mas vai saber há quem goste dessa coisa meio a meio ai, não é por acaso que existem coisas como o/a Buck Angel (Não sabe quem/o que é? Procure no google por sua conta e risco, basta por na pesquisa de imagens, preferências e em “filtragem safe search” escolher a opção “não filtrar meus resultados de pesquisa” e em “salvar preferências” e procurar por “Buck Angel”… Boa sorte)…

Outra curiosidade sobre o Janus é que ele podia ver tudo (ou tudo o que não estivesse escondido), pois sua visão cobria o mundo inteiro. Em Roma, nos períodos de guerra, as portas de seus templos eram mantidas abertas para que ele pudesse ver tudo o que se passava e só se fechavam quando a paz era finalmente estabelecida.

Também notei que vocês tudo não prestam atenção, no ultimo post da história de Ganimedes eu disse que Zeus havia o homenageado com uma constelação, mas nunca disse qual era a constelação, bom… Essa é a constelação de Aquário!

photoaquarius

– Pera ai!

– Que foi?

– O que tem a ver Aquario com Ganimedes?

– Ganimedes se tornou o copeiro dos deuses, esqueceu?

– E dai?

– Aquarius era a anfora usada para servir as bebidas, tipo assim:

Repare na anfora que ele segura...

Repare na anfora que ele segura...

– Entendeu?

– Entendi!

Outra coisa é que fiquei levemente impressionado que até agora nenhum vegetariano veio reclamar do quinto capítulo, provavelmente isso se deve ao fato de este blog não ter popularidade o suficiente para atrair a atenção (e o ódio) de gente como a la chica… Talvez eu devesse começar a divulgar a página nas comunidades deles no orkut…

– Poseidon!

– Fala…

– Quem é a La Chica?

– Uma boca suja ai…

– Hum…

Ah, pra quem reclamou que a foto da boca postada no capítulo anterior era nojenta, saibam que o tártaro ali é apenas o amarelinho dos dentes, o resto é apenas a boca normal de um cachorro… E tem gente que beija os seus cãezinhos de língua…

– Tipo quem Poseidon?

– Uma boca suja ai…

– Ah… hã?

– Enfim! Vamos para o próximo capítulo!

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As vinte e quatro horas haviam se passado e Deméter telefonou novamente para Zeus:

– ZEUS!

– Oi Deméter…

– VAI ATRÁS DA CORÉ AGORA?!?!

– Calma, calma…

– CALMA O CACETE, SE NÃO DESCOBRIR ONDE ELA ESTÁ EU COMO O SEU FIGADO!

– Er… Sabe, eu já sei onde a Coré tá…

– AI SÉRIO!?! Zeus eu te amo seu fofo, onde a minha filha tá? Se me disser agora tenho uma surpresinha pra ti!

– Hum, uma surpresinha é?

– Sim sim, cadê ela?

– Hades levou ela pro submundo!

– QUE!?! NAQUELE BURACO? COM AQUELE FAVELADO? ZEUS SEU IMBECIL, TÁ FAZENDO O QUE QUE AINDA NÃO FOI BUSCAR ELA!?!

– Hã?

– VAI TRAZER ELA DE VOLTA AGORA SEU PALERMA!

– EPA, EU SOU O DEUS DOS DEUSES E VOCE NÃO PODE FALAR ASSIM COMIGO!

– Zeus…

– SIM?

– Eu sou uma mãe desesperada atrás da filha e na TPM então FAZ O QUE EU TO TE DIZENDO O CARALHO!

– Sim senhora…

– ENTÃO VAI LOGO!

– Mas tem um problema…

– QUAL?

– Não dá pra entrar assim na maior lá no submundo sabe, ele vai ter que devolver ela por conta própria… Deméter?…

A deusa largou o telefone e sentou-se na poltrona, não sabia mais o que fazer ou o que pensar, sua filha podia estar perdida para sempre e ela não conseguia aceitar a idéia.

No dia seguinte Hades foi até a cela onde Coré estava presa e destrancou a porta:

– Er… Coré?…

– Que foi?

– Quero faze um acordo contigo…

– Acordo?

– É, vo te dexá i embora saca?

– Posso ir pra casa?!

– Fica calminha ai que num é bem assim…

– Hã?

– Ce vai pode i pra casa, mas não agora…

– Como assim?

– Ce vai passa um tempo aqui e depois, se num quisé mais fica vai pra casa…

– Quanto tempo?

– Uns meses só, não muita coisa…

– Daqui a alguns meses posso ir pra casa?

– Pode, mas tem uma condição…

– Que condição?

– Vai ter que seguir as regras da casa…

– Regras?

– É, não é muita coisa, é só uma na verdade…

– Qual?

– Quem entra aqui não pode comer nada… Se comer é obrigado a passar a eternidade aqui em baixo…

– Vou ter que passar meses aqui em baixo sem comer NADA?

– É, se conseguir tá livre, se não der fica aqui, beleza?

– …

– O que me diz?

– É o único jeito?

– É…

– Certo…

– Beleza, Pandora vai te mostrar teus novos aposentos…

– Quem?

Hades ignorou a jovem e saiu do quarto, neste momento Pandora entrou e se apresentou:

– Olá, eu sou Pandora, vou lhe mostrar seus novos aposentos…

Coré apenas olhou para a moça que se apresentava e se levantou para segui-la, no caminho ela reparou que, mesmo no submundo, um local repleto de morte e sombras, nem tudo era negro e sombrio. Lá haviam jardins, repletos de arvores e flores, algumas bem conhecidas da garota, pois também existiam na superfície, outras nem tanto, pois só cresciam lá, outra coisa que chamou sua atenção foram as paredes e rochas do lugar, ela não havia reparado antes, mas muitas delas possuíam cores variadas ou faiscavam com luzes coloridas. Os novos aposentos  de Coré eram bastante luxuosos, como só a morada de um dos três maiores deuses poderia proporcionar.

– Três maiores deuses? Quem são isso?

– Ora, Eu, Zeus e Hades, somos os três maiores deuses do panteão grego!

– Porque?

– Porque fomos nós os primeiros deuses e os responsáveis por trancar os titãs no Tártaro.

– Trancar os titãs? Como assim?

– É uma longa história, fica pra depois…

– Hum…

Coré olhou pela janela do palácio e viu um enorme jardim, repleto de arvores frutíferas, Pandora se aproximou da jovem:

– O submundo reflete perfeitamente a alma de Hades sabia?…

– Como assim?

– A principio causa uma péssima impressão, é escuro e sombrio, há lugares repletos de dor e sofrimento, mas se pararmos para observar melhor, verá que a beleza também está presente aqui… Assim como Hades…

– Como pode dizer uma coisa dessas? Ele me trancou aqui…

– Isso é verdade, ele é capaz de coisas terríveis, mas ele também tem um bom coração, ele foi o único a se apiedar de mim quando todos os outros deuses quiseram me destruir… Enfim, não tenha tanta pressa em julga-lo, é a primeira vez que ele se apaixona…

– …

Pandora se retirou e Coré ficou perdida em pensamentos, ela observava os jardins, pensando no que acabara de escutar, estava confusa. A garota fechou os olhos por alguns instantes e então os reabriu, ela não ficaria lá para sempre, estava decidida a ganhar a aposta com Hades e sua liberdade de volta!

O capítulo de hoje fica por aqui, não está lá tão engraçado mas ele é mais uma ponte para o próximo que provavelmente será o ultimo desta história! O que acontecerá com Coré? Deméter voltará a ver sua filha? Fiquem ligados no próximo capítulo e vocês saberão!

– Pera ai, a historinha da Perséfone já vai acabar no próximo capítulo?

– Sim!

– Mas e onde tem Perséfone nessa história?

– Já disse que Perséfone e Coré é a mesma pessoa…

– Mas ninguém chamou ela de Perséfone até agora! Como isso!?

– No próximo capítulo você descobrirá, meu pequeno mandrião!

– Pequeno o que?

– XIU!

Mais uma coisa! Resolvi que vou começar a esclarecer as duvidas do pessoal, então se alguém tem algum comentário ou duvida que gostaria de ver respondido no blog, basta deixar por comentário. Vale duvidas sobre a vida dos deuses, deuses específicos, sobre as histórias, pedidos de novos mitos a serem postados, enfim responderei o que for possível.

E fica de presente uma imagem do lado bonito do submundo:

Acredite se quiser, isso também é o submundo!

Acredite se quiser, isso também é o submundo!





O Rapto de Perséfone parte VI

2 08 2009

E eis que temos mais um mega atraso. Foi mal pessoal, mas ando extremamente ocupado ultimamente e… Foi mal o caralho, um deus não deve desculpas a ninguém. NINGUÉM!

– Acordo de mau humor hoje é Poseidon?

– E tu fica quieto sua criatura insolente e miserável!

– Porque?!

– Porque se não te mando pro Tártaro!

– Ah, eu tava analisando aquela pintura antes, nem é tão ruim assim, o Rio de Janeiro é pior…

– Não to falando daquele Tártaro, to falando DESSE AQUI!

O tártaro!

O tártaro!

– Acho que escovar os dentes três vezes ao dia não vai ajudar muito pra isso ai…

– Não mesmo…

– Tá bom, fiquei quieto, mas porque do mal humor?

– Bloqueio criativo…

– De novo?

– É, não sei o que vai dar, mas fique com o que vier!

– Ok…

_________________________________________________________________

Uma voz estridente ecoava pelo submundo, abafando os gemidos das almas sofridas que lá habitavam, alguém gritava por socorro. Era Coré que se debatia em desespero ao ser carregada cada vez mais para o fundo daquele lugar maldito. O deus dos mortos ignorava as súplicas da garota.

– ME SOLTA!

Perséfone é raptada, reparem em Ciané e Anapo tentando segurar a carruagem e se transformando em rios.

Perséfone é raptada, reparem em Ciané e Anapo tentando segurar a carruagem e se transformando em rios.

– …

– TO FALANDO PRA ME SOLTAR!

– …

– EU VOU COMEÇAR A GRITAR!

– Cacete mulé, isso tudo não era grito ainda?…

– Até que enfim resolveu falar!

– …

– Pra onde tá me levando?

– Pro lugar mais underground da parada, tá sabendo!

– Underground?…

Coré olhou para o teto e para as paredes cavernosas do lugar, depois para a escada pela qual era carregada e que a levava cada vez mais fundo no subsolo.

– Isso foi algum tipo de trocadilho?…

– Hã?

– Esquece… Afinal, o que quer comigo?

– Ce vai se minha esposa tá sabendo?

– Esposa? De um favelado? NUNCA!

– Ai meu saco, fica quieta!

Hades carregou Coré até as profundezas do submundo, lá ele abriu uma grande porta de madeira com uma pequena janela protegida por grades e jogou a garota lá dentro:

– Num qué casa comigo, então fica ai pra pensa melhor, depois eu volto pra sabe o que ce decidiu beleza?

– Seu monstro! Minha mãe já deve estar vindo aqui me salvar!

– Sua mãe sabe de nada, Hypnos boto ela pra durmi hoje cedo…

– Minha amiga vai contar pra ela e quando ela vier vai comer seu rabo!

– Thanatos sento o dedo na tua amiga…

– Ele o que?

– Mato ela porra!

– QUE!?!

Hades bateu a porta e foi para seus aposentos, abandonando Coré que começava a chorar pelo seu destino e de sua amiga. Nos aposentos do deus dos mortos Thanatos veio falar com ele:

– E ai truta, como foi com a mina?

– Rebelde…

– To sabendo, mas com o tempo ela se liga…

– Vo dexa ela trancada lá, uma hora ela se toca…

Neste momento a porta se abriu e uma bela mulher de longos cabelos negros entrou:

– O que ce qué Pandora?

– Hades, você está sendo muito duro com a menina, seu amigo ai matou a melhor amiga dela e você a joga em um buraco?

– Ela precisa aprende a me respeita pô!

Pandora abrindo uma caixinha misteriósa, mas isso é pra outra história...

Pandora abrindo uma caixinha misteriósa, mas isso é pra outra história...

– Ela não vai te respeitar assim…

– E como ce sabe?

– Hades… Eu sou uma mulher…

– Ah… Tá tá, amanhã eu troco uma idéia com ela!

– Faça isso e deixe-a livre, não pode força-la a nada…

– Vo faze isso, mas as regra da casa continuam valendo!

– Está certo…

Pandora se retirou e Hades mandou que Thanatos saísse também, o deus dos mortos se jogou em sua cama e ficou pensando no que faria agora.

– Poseidon…

– Que foi?

– Quem é Pandora?

– A primeira mulher a ser criada pelos deuses…

– E o que ela faz no submundo?

– Era pra ela ter sido destruída, mas Hades se apiedou dela e deixou ela morar lá, se responsabilizando por todas as besteiras que ela fez e que viesse a fazer…

– Que besteiras?

– É uma longa história, conto outro dia…

– Ah…

– Enfim, continuando…

Já era noite alta no Olimpo e somente agora Deméter acordava do sono profundo no qual havia sido posta por Hypnos. Ela olhou para os lados e se viu ainda na poltrona, olhou para fora e viu as estrelas cintilando:

– Nossa, dormi o dia inteiro, mas que mala aquele cara…

A deusa se levantou, se espreguiçou e então foi até o quarto da filha para ver como ela estava, mas ao chegar lá não encontrou ninguém. Deméter correu para ver se ela estava no banheiro ou na cozinha, vasculhou a casa inteira, mas Coré não estava em lugar algum. A mãe desesperada correu para o telefone e ligou para o porteiro do Olimpo:

– Janos!

– Fala minha senhora!

– Coré voltou para o Olimpo hoje?

– A Coré? Hum, perai, dexovê aqui… Hummmmm, Coré, Coré… Não volto não…

– NÃO VOLTOU?

Jano, o porteiro do Olimpo!

Jano, o porteiro do Olimpo!

– Não…

– Obrigada!

– Disp… Ué, desligou já?…

Freneticamente a deusa discou outro numero:

– Alo?…

– ZEUS, A CORÉ SUMIU!

– Que? Cof… Hã, departamento de policia do Olimpo falando… quem sumiu minha senhora?

– NOSSA FILHA!

– Sua filha sumiu então…

– É VOCE PRECISA IR BUSCAR ELA!

– Calma, não grite! Tente manter a calma ok?

– Tá…

– Quando foi que ela sumiu?

– Não sei, hoje cedo eu acho, eu tava dormindo acordei agora e ela não tá em lugar nenhum!

– Só podemos mandar alguém para procurar sua filha depois de 24 horas do desaparecimento…

– O QUE? POR QUE?

– Porque na maior parte das vezes as crianças voltam depois de 24 horas, não podemos mandar alguém atrás de toda a criança que sai pra passear…

– Minha filha não é de fazer essas coisas!

– Desculpe, mas todos dizem isso…

– ZEUS, É SUA FILHA TAMBÉM!

– Er… Aqui é do departamento de policia do Olimpo…

– ZEUS EU SEI QUE É VOCE QUE TÁ FALANDO EU DISQUEI O NUMERO DA SUA CASA!

*tu tu tu tu…*

Deméter desligou o telefone quase enterrando-o na mesa e ficou andando de um lado para o outro sem saber o que fazer. Enquanto isso Zeus sentava-se na cama:

– Maldito Hades, ele que se vire agora, não tenho nada com isso…

E o post de hoje fica por aqui, nem tá grande coisa, mas é o que veio, espero que gostem!

Considerações sobre o post:

Bom, não existe um deus porteiro na mitologia grega, o mais próximo que conheço disso é o Janus (ou Jano) da mitologia romana:

– Mas a mitologia grega e a romana não era a mesma coisa, mudando só os nomes?

– Claro que não, existem sim muitas semelhanças, quase dá pra dizer que são as mesmas, mas na realidade a mitologia romana é um sincretismo entre a mitologia grega e a cultura dos Etruscos e outros povos da península itálica.

– Tipo o que?

– Tipo o Janus, ele é um deus Etrusco que foi incorporado à cultura Romana que se baseia em grande parte na grega.

– Eles aproveitaram o porteiro dos caras?

– Não, Janus não era um porteiro, ele era o senhor das passagens, do início e do fim, muitas vezes associado até mesmo à vida e à morte. O mês de janeiro tem esse nome em homenagem a ele, pois janeiro é o primeiro mês do ano e representa a passagem do ano antigo pro novo. Na mitologia etrusca Janus era o deus mais importante de todos!

– Sei, e na mitologia romana o que ele faz?

– Guarda a entrada do Olimpo…

– Quer dizer que ele era o fodão e ai foi rebaixado pra porteiro?…

– Hum… Mais ou menos isso…

– HÁ! Se fodeu!

– É, mas ele ainda é infinitamente mais importante que voce, senhor personagem incógnito…

– *Snif* Não precisava jogar na cara…

– Não seja chorão… Outra coisa é que eu e Netuno não somos a mesma coisa…

– Não?

– Não, Netuno já era adorado na península itálica antes de qualquer influencia grega, mas devido a semelhança dele comigo acabou que a imagem das duas divindades foi misturada como sendo uma só…

– Mas porque tão parecidos?

– Ele é tipo um primo distante…

– Tá dizendo então que a mitologia romana não é deles de fato?

– Claro que não, não é porque sofreram influencia de outros povos que a mitologia não é original, eu por exemplo não sou um deus Helênico, muito antes da chegada dos helenos à grécia eu já estava por lá, depois veio esse pessoal com seus deuses e acabamos dividindo tarefas, espaço e tudo o mais…

– Sei, então tu é mais velho que os outros?

– Provavelmente…

– E o que tu fazia antes?

– A mesma coisa de agora, mas também era adorado como deus da fertilidade…

– Perdeu o posto então?

– É, mas não os poderes, uma piadinha a respeito e teu amigo nunca mais se levanta…

– Já parei…

– Isso ai… Outra curiosidade é que Janus tem duas cabeças.

– DUAS?

– É, na verdade é só uma, com dois rostos, um na frente e um atrás, sendo um deles o de uma mulher e o outro o de um homem.

– Então ele é tipo…

– Hermafrodita…

– ARGH!